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27/02/2004 08:20
Mateus 21:14-17
> Nesta época do ano, tanto nos grandes centros urbanos, como o Recife, quanto nas cidades menores do interior do estado, vive-se a agitação provocada pelo ressoar dos tambores, pelo chorar da cuíca, pelos ritmos callientes do samba, do frevo e do maracatu. Práticas que em sua essência são legítimas, tais como cantar, dançar, comer e beber são, freqüentemente, exacerbadas, levando os homens ao deprimente estado da embriagues, ao torpor da mente e do coração.
> Isto sem falar do sexo, que deixando os limites da mais comezinha moral, se expressa de forma irrefreada. A ponto de fazer ter sentido o refrão de uma antiga marchinha composta por Chico Buarque de Holanda, nos idos de 1970. Assim anunciava a música:
> "É Carnaval, não me diga mais quem é você", amanhã tudo volta ao normal, deixa a festa acabar, deixa o barco correr, deixa o dia raiar que hoje eu sou da maneira que você quiser, o que você pedir eu lhe dou, seja você quem for, seja o que Deus quiser, seja você quem dor, seja o que Deus quiser".
> O Carnaval finda sendo um grande baile de máscaras às avessas, onde os adornos do período momesco, antes que esconder, revelam quem as pessoas realmente são e o que elas de fato querem. Mas o que é que Deus quer?
> O bom e velho Catecismo Menor de Westminster, escrito pelos nossos irmãos ingleses há mais de 300 anos, nos ensina que Deus fez o homem com um propósito, o de glorificar a ele e de nele sentir prazer para todo o sempre. Deste modo, o desejo de Deus para as nossas vidas é que sintamos nele gozo; as delícias de uma vida em comunhão e paz; bebendo até a última gota da certeza e da segurança que advêm da nossa condição de filhos de Deus, ou ainda, nas palavras do apóstolo Paulo em sua carta aos efésios "nos embriagando do Espírito" (Ef. 5:18).
> Uma vez que há os desejos da carne e os desejos do Espírito, e que a carne e o Espírito militam entre si, porque são opostos, o meu pedido é que o Senhor faça brotar no coração de cada um de nós, um anseio poderoso de nos dedicarmos, não apenas nos próximos fugazes dias, mas por toda existência, à busca e satisfação dos prazeres do Espírito.
> O texto acima, narra uma ocasião em que Jesus, respondendo aos principais sacerdotes e escribas, estando eles no templo de Jerusalém, diz que até mesmo pequeninos e crianças de peito podem apresentar a Deus um perfeito louvor. Trata-se de uma citação do Salmo 8, versículo 2. O que Jesus estava dizendo aos seus interlocutores é que a adoração daquelas crianças era legítima e perfeitamente aceitável. Ele maneja a espada de dois gumes, por um lado legitima as crianças e por outro, denuncia a atitude interior dos religiosos com quem conversava, posto que estes se indignaram ao ouvir as crianças dizerem: "Hosana ao Filho de Davi". O que com razão, fora entendido por eles como uma declaração de que Jesus era o Messias.
> Partindo desta passagem das Sagradas Escrituras, quero lhes propor a seguinte questão: Em que consiste o perfeito louvor? Este louvor que Deus quer e para o qual o homem foi feito. Esta adoração que agrada o coração do Pai e faz com que nos aproximemos do ideal para o qual formos criados. Esta atitude interior e exterior que é chamada de perfeita, não porque emana de pessoas sem falhas, mas porque realiza os propósitos ontológicos de Deus em nós, a própria razão de sermos e existirmos.
> Para que as nossas vidas sejam uma expressão do perfeito louvor, a nossa adoração deve ser em primeiro lugar SINCERA. Esta palavra me parece em tudo apropriada, porque "sincero", vem do latim "sin+ceru", que quer dizer sem cera, sem mistura, sem máscaras. O louvor daquelas crianças era perfeito porque não estava marcado por dissimulações. Eles cantavam o que pensavam e o que sentiam. Ao abrir a boca eles abriam também a alma. Em contrapartida, os religiosos que os observavam e que pediam a Jesus para que os repreendesse, viviam do ritualismo e das aparências de sua fé.
> Haviam aprendido as fórmulas e as repetiam diariamente, mas os seus corações estavam desconectados dos seus lábios, o seu culto estava como que no "piloto automático". Este é um perigo para o qual todos nós precisamos atentar com todo o nosso zelo e cuidado. Pois a maior tentação para quem segue uma opção religiosa como nós, é o cinismo. A palavra "cínico" vem da mesma raiz etimológica da palavra "cênico", e está diretamente ligada à prática do teatro, da representação, do desenvolvimento de papeis, da cena. Quando o culto a Deus vira performance; quando a adoração se converte em apresentação; quando o que se faz está dirigido para os olhos e ouvidos da "platéia" e não para Deus que a tudo vê em secreto, então se perdeu o louvor e o que fazemos pode ser chamado por vários nomes, mas não de culto ao Deus que é Espírito e que espera que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade.
> Precisamos aprender com aqueles meninos de Jerusalém, e que o nosso culto a Deus seja desconcertantemente sincero, que flua do mais íntimo de nossas almas. Quando isto acontecer provaremos o gosto bom da comunhão com o Eterno, um prazer que a liturgia por si só não pode dar e que fará valer a pena viver.
> Em segundo lugar, para que as nossas vidas sejam uma expressão do perfeito louvor, a nossa adoração precisa ser CONTÍNUA. O que provocou o canto dos meninos foi o que Jesus fazia. O texto nos conta que ele curava a cegos e coxos. Creio que não houve um só dia do ministério de Jesus em que ele não operou milagres como estes. Fazer tais sinais e prodígios extraordinários não era uma programação especial na agenda de Jesus. Ele nunca teve algo como "a segunda dos milagres", "sexta-feira dos prodígios", antes, estes eram uma conseqüência natural da sua presença e poder. Tanto que Jesus resistiu fortemente sempre que alguém lhe pedia um sinal para que cresse. Ele era o sinal, suas palavras, sua vida e, finalmente, a sua morte e ressurreição eram a manifestação de quem ele era. E isto bastava. Se os meninos cantavam por causa do que Jesus fez e ele o fez por ser o que é, a nossa adoração precisa ser diária, ininterrupta, como na vida do apóstolo Paulo em que o viver ser transformou "em Cristo", em culto, em oração, em intercessão, em vida de devoção. Um mergulho de corpo e alma nos mares do Espírito, uma imersão completa na dimensão do reino de Deus. Aí então... que folguedo, que festa, "quanto riso... quanta alegria".
> Eu fico profundamente triste e incomodado quando percebo que as pessoas têm pressa de sair da casa de Deus. Há alguns que já vêm à igreja com o propósito de ir embora logo após a mensagem; como se a liturgia não fosse uma peça única e indivisível, como se o ofertório, e sobre tudo a Eucaristia, não fossem expressões essenciais de nossa devoção; como se houvesse fora destas portas algo mais importante e mais urgente do que o culto ao Salvador. Claro que nós não podemos transformar isso em legalismo, como fizeram os judeus com a guarda do sábado, os quais foram denunciados por Jesus, quando lhes perguntou: Se o teu filho cair em uma cisterna, sendo sábado, tu não o retirarás de lá? Mas o que vemos com freqüência em muitas igrejas é simplesmente inaceitável. Chegará o dia e eu creio que já chegou, em que participaremos das celebrações como quem toma um delicioso sorvete e que ao findar do mesmo teima ainda em raspar o fundo da taça.
Em terceiro e último lugar, para que as nossas vidas sejam uma expressão do perfeito louvor, a nossa adoração precisa ser FERVOROSA. O texto nos diz que os meninos "clamavam", ou seja, falavam em alta voz. Apesar do local, apesar do olhar de censura dos circunstantes, apesar do conteúdo novo de sua fala, apesar da repreensão das autoridades presentes, apesar de tudo e de todos eles clamavam. E eles o faziam porque o clamor vinha de dentro. Algo dentro deles clava que eles clamassem. É isso que eu chamo de fervor, esta expressão intensa, profunda e até passional de uma verdade ou de um sentimento.
> Eu vejo fervor nos amantes, no torcedor que vibra com o gol do time de sua predileção, no passista que canta o hino de sua escola de samba no meio da avenida, mas, as vezes, não sinto fervor no meu próprio coração quanto exalto as maravilhas do amor e da graça do meu Senhor e Salvador. Tenho, não raro, a impressão de que vivo a minha devoção a Deus, movido pelas lembranças de algo que aconteceu em minha vida há muito tempo, e que serve ainda hoje de motor propulsor para minha adoração. Parece que no momento
> presente, no tempo presente, nada há que justifique um calor, uma paixão, um transbordar de emoções que se traduzam em palavras, faces, lágrimas, gestos.
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> É então que, quase inexplicavelmente, um vento sopra dentro de mim e faz com que aquela chama incerta que ardia, vá ganhando força e brilho, para finalmente se transformar num fogo que descendo do céu consome completamente o holocausto. São nestes momentos em que o meu coração se excita e a minha voz, mesmo desentoada, não se contenta em murmurar as grandezas de Deus, mas se transforma em trombeta de proclamação do dia santo, do dia de festa, do dia do nosso Deus.
> Aqueles religiosos do templo não podiam entender os meninos, ou talvez não se lembrassem mais da força que os fazia cantar, muito menos eles podiam compreender como Jesus os permitia, mas o fervor dos meninos alegrava o espírito de Jesus e ele disse eis o perfeito louvor que suscita força por causa dos adversários, e que faz emudecer o inimigo e o vingador. Aleluia!
> Assim meus queridos irmãos, o perfeito louvor é sincero, contínuo e fervoroso. Ele é capaz de nos fazer adentrar nas paradisíacas praias dos prazeres do Espírito. A eles eu vos convido.
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> Mas é Carnaval, e me diga agora: quem é você?
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> Rev. Marorelli Dantas
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> Igreja Episcopal Carismática do Brasil.
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> martorelli@globo.com
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enviada por Tatinha
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