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10/02/2004 08:14
FAMA: Revista Eclésia destaca os crentes e a busca pela celebridade.
(domingo, 8 de fevereiro de 2004 às 11:16)
A busca pela celebridade está em alta. Bem que o novaiorquino .Andy Warhol, o guru da pop-art profetizou que, um dia, todos lutariam para obter fama, ainda que fosse por fugazes 15 minutos. É o que tem acontecido. Nunca se viu tanta gente procurando holofotes, criando fatos para chamar a atenção e investindo tempo e dinheiro na construção da própria imagem. Nesta época de falta de oportunidades e de consagração do superficial, é na notoriedade que muita gente tem encontrado seu lugar ao sol. Afinal, o reconhecimento público costuma ser o passaporte para a satisfação do eco e, melhor ainda, a independência financeira. Que o diga a lolita americana Britnev Spears. Rainha do self-marketing internacional, ela já fez da própria virgindade e da sua alardeada perda - assunto público. Há poucas semanas, armou um casamento que durou dois dias. Todo mundo sabia que era factóide, mas a moça reconquistou as manchetes e continua vendendo seus milhões de CDs. Na telinha brasileira, a novela global Celebridade chama a atenção por uma trama indigente, na qual duas personagens, Jaqueline (interpretada pela atriz Juliana Paes) e Darlene (Deborah Secco). lançam mão de todos os recursos, inclusive os de alcova, para alcançar a fama, que também é o objetivo número um dos participantes do Big Brother Brasil. No ar em sua quarta edição, o programa é o maior exemplo de vida alheia exposta na vitrine para consumo. A cultura ali passa longe, mas ex-participantes do enlatado, como os talentosos Kléber Bam-Bam, Thyrso e Manuela, saboreiam até hoje os resultados de suas peripécias à frente das câmeras indiscretas. E o telespectador sem mais o que fazer pode até acompanhar tudinho que se passa dentro da casa. 24 horas por dia.
Mas vaidade de vaidades, tudo é vaidade. pontificou o sábio Salomão. Até entre os servos de Deus a caça ao estrelato tem ganhado força. E se for possível juntar a glória ao Senhor a uma infladinha no próprio eco, qual é o problema? No segmento evangélico, multiplicam-se aqueles que fazem do ministério um trampolim para a fama. E não deixam escapar nenhuma chance de conseguir espaço, iniciar a carreira artística e, de quebra, usar o talento para anunciar o Evangelho.
Quando apareceu no Programa Raul Gil, da Rede Record, há coisa de dois anos, ninguém deu lá muita bola para a pequena Jamily, uma garotinha que freqüentava a Igreja Universal de Copacabana, no Rio. Ela só pôde ir a São Paulo para a gravação porque uma vizinha emprestou dinheiro e malas
pala ela e a mãe. Só que a menina permaneceu quatro meses a fio no ar, chamou a atenção da gravadora Line Records e hoje é uma requisitada cantora gospel, apesar dos seus apenas 13 anos de idade. Já está no seu segundo CD Arumbacomballé - que tem tudo para superar o sucesso do primeiro, Tempo de Vencer, trabalho que lhe valeu o disco de ouro pelas 100 mil cópias vendidas.
As igrejas evangélicas são mesmo um celeiro de artista emergentes, embora a absoluta maioria das pessoas que ali se destacam estejam fadadas a passar a vida louvando a Deus no anonimato. Jamily, uma exceção, é o caso típico do rápido alpinismo pessoal e social que só a fama pode proporcionar. Oriunda de família humilde, aos três anos de idade já esganiçava a vozinha nos cultos. O talento dela foi um presente de Deus. Nunca esperei que fizesse tanto sucesso, orgulha-se a mãe, Maria José, rapidamente guindada à condição de empresária da filha. A própria estrelinha, com desenvoltura, anuncia projetos: Meu sonho é apresentar um programa infantil e fazer carreira nos Estados Unidos. Já acostumada à tietagem nos cultos e shows, Jamily fala como profissional. Não acho que sou famosa, mas o assédio dos fãs é legal. Só que às vezes preciso ir no culto de óculos escuros, diverte-se. Ciente de que seu trabalho depende da afinação com a fé, ela não deixa de exaltar ao Senhor: Quero ser uma grande cantora, mas Jesus tem que estar em primeiro lugar, decreta.
O crescimento do mercado gospel, por si só, explica o fenômeno. Com aproximadamente 26 milhões de crentes, o Brasil é um dos maiores consumidores mundiais de música evangélica, setor que movimentou, no ano passado, R$ 100 milhões. Já há, no país, cerca de 50 gravadoras dedicadas ao segmento, inclusive empresas de grande porte, estrutura profissional e forte presença de mídia. Alguns lançamentos de CDs evangélicos botam no chinelo até grandes artistas populares. Só o álbum Quero me apaixonar, gravado pelo Ministério de Louvor Diante do Trono, de Belo Horizonte (MG), atingiu estratosféricos 500 mil exemplares na primeira prensagem.
Capitaneado pela cantora e compositora Ana Paula Valadão Bessa, o Diante do Trono aparece no alto de todas as listas de vendagem e execução do segmento. Um dos motivos de tamanha aceitação é a linha adotada pelo grupo - as músicas de louvor e adoração, maciçamente adotadas pelas igrejas para o louvor congregacional. Os eventos do Diante do Trono, realizados em estádios como o Maracanã, no Rio, e o Mineirão, em Belo Horizonte, arrastam multidões. Ano passado, o ministério, ligado à Igreja Batista da Lagoinha, atraiu quase dois milhões de pessoas num megaespetáculo de música de louvor a Deus no centro de São Paulo. Ana Paula, mesmo sem querer, tomou-se uma estrela evangélica. Em meio a tudo, faz força para manter os pés no chão. O sucesso, para nós, é visto como triunfo do Senhor, frisa. Mesmo assim, ela tem rotina de popstar e já participou de sessões de autógrafos que duraram uma semana inteira. É claro que essas coisas nos gratificam, diz a cantora, mas é preciso evitar esse negócio de tietagem.
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Leia a matéria completa na revista Eclésia edição 97 janeiro de 2004 com depoimentos de cantores como Cristina Mel, Luiz de Carvalho, Lulo (ex-Casa dos artistas), David Fantazzini (ex-Fama) e outros.
enviada por Tatinha
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